sinto-me inútil perante o mundo. Burra, estúpida, insuficiente.
sinto-me vazia por dentro mostrando alegria por fora.
a verdade é que me incomoda, a verdade é que a odeio.
Secretamente desejo não ser assim. Luto mais que ninguém para provar aquilo que deveria saber fazer sem olhar. esforço-me mais que tudo para apenas no fim falhar. Ninguém me consegue ver como sou, ninguém olha para mim com respeito, e ninguém tem orgulho daquilo que sou.
Luto sozinha contra ventos e tempestades, cavo buracos em areias movediças e empurro pedras por uma colina acima. O esforço ninguém o vê, na verdade ninguém o quer ver, é mais fácil criticar, deitar abaixo e esquecer que neste mundo nem todos nascemos iguais, que nem todos nos damos por vencidos e nem todos queremos ser mais que os outros.
Esgotada ao fim do dia, por um esforço mais mental que físico, tento encontrar o meu lugar no meu mundo. Refugio-me o mesmo lugar há anos, no meu cantinho que ninguém vê, ou sabe ou imagina.
Luto para que não me olhem com pena ou criticismo, luto para provar que um ser humano vale sempre a pena amar.
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